domingo, 14 de setembro de 2014

AS HABILIDADES MOTORAS

Responda a esta questão: Cocê pensa em que movimentos deve fazer para realizar as tarefas abaixo?
 ou 

Com certeza, você respondeu que não. Na verdade, ninguém pensa nesses movimentos. Simplesmente, faz automaticamente. Por que isto acontece?

Ficar em pé garante a todos os seres humanos uma imensa gama de possibilidades de ação e de locomoção. Obtemos uma liberdade que nos permite explorar o corpo e o ambiente de todas as maneiras possíveis e imaginárias.


Observando os movimentos realizados por um bebê podemos entender melhor essa liberdade. Na fase deitado, o bebê é totalmente dependente. Ao sentar, seu ângulo de visão muda e os objetos do ambiente passam a despertar mais sua atenção, razão pela qual dá início a um trabalho de exploração dos objetos próximos. Ao engatinhar, o ângulo visual muda novamente e com mais familiaridade da locomoção permite a exploração de objetos mais distantes.


Mas, ao ficar em pé, tudo muda mais ainda. Já não precisa dos braços para apoiar o corpo. As pernas obedecem aos comandos cerebrais e a locomoção se torna mais fácil. O ângulo de visão se adapta à nova realidade permitindo uma nova exploração dos objetos próximos e distantes, ir até eles e voltar ao ponto de partida. E a palavra mágica é APRENDER.

O bebê aprende que seu corpo é flexível e explora isso. Abaixa, levantar, sobe, desce, esbarra nos objetos e aprende a desviar deles. Explora ainda diferentes visões de mundo: deita-se de costas, de barriga, de lado, rola pelo chão, olha por entre as pernas e de outras formas bastante engraçadinhas. Além de enxergar o mundo de modos diferentes está ampliando os conhecimentos do seu campo de visão também.


Ao manipular objetos aprende que nem todos os objetos são iguais, nem tem a mesma textura, nem a mesma forma, nem o mesmo peso. E aprende a usar a força muscular e a distância adequada para cada objeto. Por meio dos ruídos, aprende a distinguir as distâncias entre os objetos e seu corpo. É a audição presente.

Andar é uma aprendizagem que implica numa série de movimentos orientados, posicionados e equilibrados. 

Todas as aprendizagens começam tímidas, desajeitadas, inseguras e sempre estão sujeitas a erros. Os erros do bebê resultam em quedas. Por não temê-las, logo se levantam e retomam o movimento. E aqui entra uma outra palavra mágica: REPETIÇÃO. Andar, cair e levantar é um jogo divertido para o bebê.

A repetição de um movimento acelera o aprendizado e aprimora os comandos dos movimentos. Chamamos a isto de hábito. Esse aprimoramento ainda não é totalmente isento de erros. Repeti-los continuadamente é necessário e importante. É quando entra a última palavra mágica: a PRÁTICA.  Com o tempo e a repetição, o hábito se transforma em habilidade: a prática.

A prática significa que as funções cerebrais, vestibulares e motoras já conseguem dar respostas imediatas e eficientes mediante a visão de um objeto. Os movimentos seguem uma sequência prevista e organizada. Por isso, não precisamos pensar no que fazer. Isto não acontece apenas com os bebês, mas com todas as pessoas e o tempo todo. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PINTANDO COM ESPÁTULA

OLÁ, MINHA GENTE!

Depois de alguns dias sem postar por questões pessoais, hoje trago para vocês mais uma novidade: pintura com espátula.

Para realizá-la com crianças de qualquer idade, deficientes ou não, você vai precisar de faquinhas plásticas de bolo e tinta guache ou acrílica.

Para traçar um linha reta basta carregar a ponta da faca com um pouco de tinta e depositá-la no papel e com movimentos de vai e vem se direciona a reta.


Faz-se o mesmo para traçar linhas curvas.


Aprendido esses movimentos básicos, podemos passar para a segunda fase: o "arrasto". Realiza-se o movimento feito para a reta e puxa-se a faquinha, ainda com tinta, para baixo ou para cima de leve. Com muita pressão a tinta não desliza.
 


Com o "arrasto" de várias cores formamos lindas e diferentes pinturas, como esta:

Sem lavar a faca ao passar de uma cor para outra, ou uma cor sobre a outra, as crianças notam que as cores se misturam e ganham novas tonalidades. 

Depois desta etapa, as crianças podem começar a preencher desenhos simples e sem muita dificuldade como formas geométricas ou flores. Para isso, basta depositar a tinta e arrastar  de leve seguindo o risco.


Para os maiores que já aprenderam bem os movimentos e conseguem criar, podem fazer flores como estas ou outras de sua vontade.


Com isto estamos trabalhando a coordenação motora, a preensão, o controle da mão, a desinibição da pintura, estimulando a criatividade e a imaginação.

Esta é mais uma sugestão para um trabalho diferenciado em casa ou na sala de aula.

Espero que gostem.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

DESENVOLVIMENTO MOTOR: um trabalho de equipe


Para que um bebê saia da posição deitado (horizontalidade) dos primeiros meses e fique em pé (verticalidade), posição própria da espécie humana, necessita de outros processos que se desenvolvem em paralelo e em conjunto com o desenvolvimento do sistema motor.



Na parte estrutural temos o sistema ósseo, o sistema muscular e o sistema nervoso.
O sistema ósseo constitui o alicerce do corpo humano. O esqueleto é quem nos permite a posição ereta e vertical. Por isso, precisam ser rijos e fortes. As células que os compõem precisam absorver o cálcio contido nos alimentos. Quando isto não acontece ficam frágeis e quebradiços e podem atrasar ou impedir o desenvolvimento motor.

Os músculos recheiam o corpo e são os grandes responsáveis pelos movimentos. Presos aos ossos por meio de nervos, tendões, cartilagens e articulações devem exercer plenamente sua função tônica, ou seja, serem capazes de contrair e relaxar quando preciso. São eles também os grandes responsáveis pela posição vertical e pelo equilíbrio ao andar (modulação anti-gravídica). Do trabalho dos músculos dependem a harmonia, a automatização e a voluntariedade dos movimentos.

Para que se tenha ideia da importância dos músculos, o corpo humano possui 639 pares deles. Desse total, 47 pares destinam-se ás funções neurovegetativas que garantem a sobrevivência dos seres. Os 582 pares restantes são responsáveis pelo equilíbrio nas diversas posturas que os corpos assumem, na ação e na coordenação dos movimentos para que sejam leves, harmoniosos e coordenados. Qualquer problema relacionado a eles, os movimentos se tornam endurecidos e descoordenados.

Nervos, tendões, capilares nervosos, cartilagens e articulações compõem o sistema de enervação muscular. Eles partem do Sistema Nervoso Central e entram na musculatura levando informações e trazendo respostas cerebrais (sensibilidade corporal) para que os movimentos se realizem.


Depende ainda do sistema circulatório. Ossos, músculos e enervações devem receber boa quantidade de sangue constantemente, pois este é o meio de oxigenação e alimentação das células que os compõem.

Mas, toda esta estrutura depende ainda da participação de outros sistemas que devem ser desenvolvidos em paralelo. O tato que, espalhado por todo o corpo através da pele, nos coloca em contato com o mundo exterior. Sua função é a de receber estímulos e enviar informações ao cérebro. O tato é responsável pela orientação, localização, identificação e discriminação do corpo nos diferentes ambientes. Da visão depende a excitação ou a inibição dos movimentos diante de um obstáculo, da sequência dos movimentos, da identificação e da discriminação do corpo com relação aos objetos do ambiente. A audição também exerce um papel importante, garantindo o equilíbrio do corpo além da orientação, localização, identificação e discriminação do ambiente através dos sons.


Do sistema vestibular (comandado pelo cérebro) depende a orientação e por endireitar o corpo garante nos diferentes movimentos que realizamos garantindo a verticalidade e o equilíbrio. Ele também é responsável pelos movimentos realizados pelos olhos.


As conquistas motoras, elencadas no artigo anterior, dependem deste trabalho em equipe. Dessa forma, qualquer atraso de cada uma das etapas, dão indício de que algo não vai bem e merece investigação. São muitos os sistemas a serem investigados e quanto mais precoce for a identificação da causa (ou das causas) desse atraso, menores serão os efeitos sobre o sistema motor.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

BRINCANDO COM AREIA

OLÁ, PESSOAL!

Muitas crianças sentem vontade de brincar com areia, mas ficam incomodadas com a textura. Para resolver esse problema é fácil.

Basta arranjar um pote de sorvete, um pouco de areia de vaso (que pode ser colorida ou não) e bolinhas de gude. Coloque as bolinhas no fundo do pote e cubra com areia até a metade do pote. 

Desafie a criança a encontrar a quantidade de bolinhas colocadas. Elas esquecem  da areia e mergulham a mãozinha dentro do pote e só a retiram quando a última bolinha for encontrada.

Esta brincadeira ajuda na contagem das bolinhas, além de trabalhar a questão da textura da areia. E  ela mesma propõe ou pede a repetição da brincadeira.


Uma outra brincadeira divertida é fazer caminhos com as bolinhas. Para isto, troque o pote de sorvete por uma bandeja funda de plástico e reaproveite a areia e as bolinhas de gude. 



Logo estarão mergulhando a mãozinha inteira na areia.


Outra ideia legal é substituir as bolinhas de gude por carrinhos. Você pode substituir por soldadinhos plásticos (desses de Kit), animais, flores, bonecos e o que mais puder inventar. Assim, a caixa de areia terá sempre uma cara e um atrativo novo. E como podem ver, não é só uma mão que entra na brincadeira. A outra também.



Além da contagem e da textura, a caixa de areia trabalha o sensorial, a coordenação motora, a preensão, a coordenação de movimentos. Desperta a vontade de criar e de contar histórias espontâneas, desenvolvendo a imaginação. Desperta o desejo de reproduzir o barulho dos objetos dando mais realismo ao que está sendo imaginado. 

Se gostou, aproveite a ideia.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

RUBEN ALVES DEIXARÁ SAUDADES

Nosso país perdeu, neste final de semana, um grande pensador, educador e psiquiatra: Ruben Alves.


Em uma de suas crônicas, Ruben Alves diz:


“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas. Detesto fazer acareação de desafetos que brigam pelo majestoso cargo de secretário geral do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus. 

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!"

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Ruben Alves fará falta e sentiremos saudades, pois ele percebia a importância da Educação e a via como nenhum outro. Mas, deixou suas ideias como uma luz que deverá se tornar cada vez mais forte e influenciar a professores, pais e alunos. 

Esta é a nossa homenagem e o nosso respeito. Que ele esteja em paz e que ande ao lado do Criador, como tanto desejava.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

BRINCANDO COM PRENDEDORES DE ROUPAS

Olá, pessoal!


Hoje, trouxe para vocês uma atividade com prendedores de roupa. Apesar de parecer uma "brincadeira" podemos trabalhar muitas coisas, como coordenação motora fina, preensão, questões matemáticas, exercícios de fortalecimento de nervos e músculos dos dedos, mãos e antebraço. Desenvolve ainda a criatividade, ajuda na memorização de letras e números, ajuda na fixação de algum conteúdo  que esteja sendo ensinado.

O material é simples: prendedores de roupa e nada mais.

O que se pode fazer?


Letras e números

formas geométricas

 
formar figuras

colocá-los em pé (tipo fila indiana)

formando pares

Fácil, não é mesmo? Se gostou, aproveite a ideia e mãos à obra. 

As crianças adoram!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

PARA AS FUTURAS MAMÃES OU PARA AS DE PRIMEIRA VIAGEM

O DESENVOLVIMENTO MOTOR NO PRIMEIRO ANO DE VIDA

Quando uma mulher está grávida, fica ansiosa para sentir os movimentos do bebê dentro do útero. Embora isto seja um sinal de que tudo corre bem, não garante que o bebê terá um bom desenvolvimento motor.

O caminho que vai dos movimentos fetais até os movimentos mais habilidosos e graciosos é grande e repleto de fases e etapas que precisam ser vencidas pelo próprio bebê. O que resta a nós, adultos, é esperar e observar.

Bregeron e Fonseca afirmam que o desenvolvimento motor é muito especial e a maioria dos bebês segue um padrão de conquistas motoras em determinados períodos de tempo. Vamos conhecê-los?

Ao nascer a criança está pronta para colocar em ação movimentos internos que lhe garantirão a sobrevivência. Respirar é o primeiro deles. Outros vem na sequência: sugar, engolir, urinar e defecar devem estar prontos e presentes após o nascimento.


Já nos primeiros dias o bebê executa uma série de movimentos. São denominados “reflexos”, porque não dependem da vontade ou da necessidade dos recém-nascidos. Podem realizar alguns movimentos externos e visíveis como espreguiçar-se, espirrar, tossir, de regurgitar, sorrir, fazer caretas e gritar. Pernas e braços apresentam manifestações motoras rápidas e sem controle. Pernas e braços permanecem flexionados (embora possam esticá-los de vez em quando). Punhos, mãos e dedos parecem imóveis. Tudo normal e corriqueiro.


Com um mês, a cabeça ainda não tem firmeza. Mas, já apresentam pequenas mudanças de posição, devido a uma pequena torção do tronco. Esticam mais as pernas, mas as mãos permanecem fechadas e os braços ainda estão flexionados. Caso não estiquem as pernas pode ser prenúncio de algum problema do sistema nervoso.

No 3º mês, já mudam de posição apoiando-se nas pernas para girar o quadril. As coxas e pernas se afastam uma da outra lateralmente e os movimentos de pedalar começam a diminuir de intensidade. A cabeça se firma completamente na metade do 4º mês. Se até o 5º mês a cabeça continuar pensa, procure imediatamente um neurologista, pois é sinal de alguma anormalidade do Sistema Nervoso Central.

No 4º mês as mãos se abrem totalmente. A cabeça firme sobre os ombros permite giros para a direita e para a esquerda e realizar tentativas de olhar para trás. Pouco a pouco, os reflexos vão desaparecendo e dando lugar a outros mais complexos: os “movimentos voluntários”.

No 5º mês, o bebê já consegue sentar-se com apoio. E no 6º mês, sentam-se sem apoio. No 7º mês, já sentam-se no cadeirão ou cadeiras. Caso ainda precisem de apoio até o 7º ou 8º mês, os pais devem procurar o neurologista. Para as que conseguem sentar sem apoio o melhor é deixa-las no chão com objetos ou brinquedos próximos. Com os punhos e dedos estão abertos conseguem pegar e manter esses objetos. Ao querer pegá-los se exercitarão naturalmente a preensão, além de preparar o corpo para a marcha.


Por volta do 8º ou 9º mês, ficam de barriga para baixo. Esta posição permite novas experimentações, como arrastar-se para frente e para trás. Do 9º ao 11º mês já se pode perceber se a criança será destra ou canhota observando-se qual a mão que usa mais para pegar os objetos.


Entre o 9º e o 10º mês, apoia-se nos joelhos para erguer o quadril. Com este movimento, a criança percebe que pode movimentar as pernas. É quando aparece o “engatinhar” que a prepara para a marcha. Algumas crianças pulam esta fase, talvez estimulados ou impedidos pelos pais. Muitos problemas posturais (de coluna, pés, pernas e das formas de pisar) decorrem da falta dos movimentos desta fase.

 

Entre o 11º e 12º mês, ficam em pé com apoio e no final do 12º mês, sem apoio algum. Novas experimentações ocorrem, como andar apoiado nos objetos. E terá até o 18º mês para andar sem apoio algum.


Qualquer atraso longo do desenvolvimento motor pode causar inabilidades sérias, deficiências mentais e deformações físicas. Portanto, se houver alguma demora, é melhor procurar um neurologista. Não deixem o tempo passar. Quanto mais precocemente forem atendidos menores serão os efeitos desses atrasos.