quinta-feira, 13 de julho de 2017

APRENDENDO OS SUBSTANTIVOS

Aprender a classificar as palavras é importante. Por isso, entra no conhecimento das palavras (parte 3).

Em vez daquela definição encontrada nos livros e dicionários, ao tratar com deficientes intelectuais ou daqueles que têm alguns graus de rebaixamento da inteligência, é preciso simplificar. 

"SUBSTANTIVO É O NOME DE TUDO O QUE EXISTE".  Assim, de forma simplificada, defino o que é essa classificação. E é hora de brincar com as palavras.

Brincamos de nomear o que está sendo visto naquele momento e no lugar onde a criança está. Depois, o que veem numa figura. E por último, dizer o nome de coisas que ele conhece bem, como por exemplo, as coisas que estão no seu quarto e nas dependências de sua casa, de seus brinquedos, comidas que gosta, cores de sua preferência, nomes de pessoas conhecidas e assim vai. E, dessa maneira, eles entendem.

Chega o momento de trabalhar isso tudo no caderno. Desta forma, incentivo a leitura, ele observa a forma escrita e aprende que as palavras fazem parte de uma classificação chamada SUBSTANTIVOS. E assim, uma coisa de cada vez, vamos caminhando.

O primeiro item escolhido foram os legumes, que segundo o próprio garoto, tudo o que ele gosta.



O segundo item: as frutas, que diz detestar.



E a partir daí outros exercícios podem ser feitos, como por exemplo:

- NOMEAR FIGURAS:

- COLOCAR NOMES DE PESSOAS EM ORDEM ALFABÉTICA: e vejam que não é só a primeira letra que ele teve que olhar. Ao contrário, teve que analisar as três primeiras letras, já que haviam palavras que repetiam as primeiras e segundas letras. 


Estou muito feliz com seus progressos.

terça-feira, 27 de junho de 2017

CONHECENDO AS PALAVRAS II


Partindo do que já sabia, ou seja do alfabeto, e como não consegue escrever por problemas motores, logo comecei a trabalhar a formação de palavras através da junção de sílabas e nomeação de figuras. Mas achei que só isso era muito pouco para alfabetizá-lo. 

4- SEPARAÇÃO DE ´SILABAS

 

 

Comecei a trabalhar a separação de sílabas com os seguintes objetivos: acelerar a identificação das sílabas, provocar e desenvolver a formação das palavras, desenvolver a leitura para que a alfabetização se tornasse mais rápida e, por fim, fazê-lo entender a escrita. A princípio foram palavras simples, aprendidas durante os atendimentos. Depois, fui complicando. E a cada provocação, o garoto respondia positivamente.


5- PALAVRA GRANDE E PALAVRA PEQUENA

Esta é uma dificuldade que encontro até mesmo com crianças sem deficiência iniciando ou não a alfabetização. Quando se pergunta qual é a palavra maior, a maioria ainda respondem levando em conta o tamanho do objeto que ela representa. por exemplo: ao escolher a palavra maior entre "trem e formiga", o fazem pela palavra "trem" e justificam que "o trem é maior que a formiga".

 


Tenho trabalhado esta dificuldade com vários tipos de exercícios que o faz separar, circular, marcar X (que estamos trabalhando na Coordenação Motora) e fazendo outras marcas.


6- ENCONTROS VOCÁLICOS

Conhecer as palavras significa perceber o que essa palavra tem de interessante. O encontro das vogais é algo interessante que, na maioria das vezes, não percebemos ao falar. 

Para quem está inciando a leitura, estes grupos também se tornam uma dificuldade, pois os aprendizes entendem as sílabas como uma consoante e uma vogal. Isto também ocorre com crianças que não possuem deficiência. No caso desse garoto, que além de ter baixa visão e problemas motores sérios, também tem uma dicção comprometida para alguns sons devido a Paralisia Cerebral. A leitura fica truncada, com as vogais dos ditongos faladas separadas, quando na verdade, não se separam.

Para que tome consciência de falá-las juntas resolvi apresentar-lhe os encontros vocálicos com as novas palavras que estamos trabalhando. Como fiz isso?

Primeiro expliquei o que era os encontros vocálicos mostrando com o alfabeto móvel. Montamos o alfabeto na ordem e pedi a ele, que separasse as vogais. E formamos palavras monossílabas com: pai, mãe, cai, sai, vai,  vão, dei, doei etc.


Quando ele entendeu, apresentei uma série de palavras com e sem encontros vocálicos para que separasse em dois grupos. No primeiro grupo, com encontros vocálicos. No segundo, sem eles. E a resposta foi positiva e imediata. Depois colamos no caderno.


A partir de então, tenho trabalhado desse assunto a cada encontro: identificando, marcando com grifos (aprendendo agora), marcando X ou fazendo outras marcas, lendo, falando e, principalmente, brincando com as palavras. E nos divertimos muito a cada atendimento.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

CONHECENDO AS PALAVRAS

Não é porque uma pessoa tem paralisia cerebral que ela, necessariamente, precisa ser ignorante quando se trata do uso das palavras.

Ao trabalhar as letras procurei começar pelas que ele já sabia e, em seguida, pelas mais fáceis. Dessa maneira, deixei para o final as que considero mais difíceis como o ce - ci, ge - gi, x, z, h e as estrangeiras como o q, k, w e o y. Essas, eu vou integrando aos poucos. Depois ainda iniciarei as complexas como o nh, ch, lh, gue e gui, o r, s, n e m pós-vogal. E já introduzi o que - qui, qua e quão.

Enquanto isso, aproveito para instruí-lo quanto ao conhecimento das palavras. E procuro sempre utilizar atividades lúdicas antes de aplicar um novo conhecimento. Comecei pela ordenação do alfabeto. Vejamos algumas atividades:

1- ORDEM DO ALFABETO

Primeiro, apresentei a ordem do alfabeto com o alfabeto móvel. E foi mais fácil do que imaginava. Ele praticamente o montou sozinho. Digo praticamente porque houve umas trocas na ordem. E de lá para cá, ele o monta sem erros antes da atividade do dia.


2- COMPLETANDO O ALFABETO:

Ele observa as que faltam, as identifica e cola. Como na  foto abaixo:



3- LETRAS VIZINHAS

Ainda trabalhando a ordem do alfabeto, trabalhei as letras vizinhas, como se faz com os numerais. 



4-COLOCANDO PALAVRAS NA ORDEM ALFABÉTICA

Como ele não consegue escrever e numerar por causa dos espasmos, ele identifica e cola. Então, ao preparar a atividade do garoto, colo uma lista com umas 10 palavras mais ou menos e deixo espaço para que ele cole os numerais de 1 a 10, ou mais se for o caso. Dessa forma ele está aprendendo a colocar as palavras na ordem alfabética. Vejam alguns exemplos de atividade:

 




Com estas atividades trabalho a leitura para desenvolvê-la e ampliar o vocabulário. Trabalho ainda a identificação do registro escrito e a significação de algumas palavras desconhecidas para ele. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

PARALISIA CEREBRAL E AS ARTES II

Como prometi, mais um pouco de arte com o garoto que atendo. Ele ficou muito tempo nas escolas pelas quais passou e sempre sem fazer e aprender nada. Era aquela velha história: "tem Paralisia Cerebral e muitas dificuldades motoras, então, é melhor não fazer nada porque ele nunca conseguirá fazer coisa alguma". 

Mas, não é bem assim. Em meio a tantas dificuldades há uma pessoa que pensa, sente, deseja quer agir,   como todos nós. o que precisam é um olhar diferenciado para suas dificuldades e tratá-lo como qualquer outra pessoa, respeitadas as suas limitações. 

Como disse na postagem anterior, este é apenas um começo. E como todo começo temos que começar pelo que é básico e bem devagar. Por isso, resolvi verificar se ele sabia rasgar papéis. Separei algumas folhas coloridas de revista e pedi que as rasgasse. 

Foi um susto para ele. Ficou parado com as folhas uma das folhas na mão. Peguei outra e mostrei como fazer. Depois deixei a tarefa a cargo dele. O garoto puxava a folha e com a força que fazia, as folhas se rompiam. Foi preciso pegar em suas maõs e ensinar o movimento de rasgar. Após algumas tentativas, surge um olhar brilhante em seus olhos. Conseguia afinal. Depois, fizemos uma colagem aleatória, que ficou assim:

Semanas depois, voltei aos recortes com as mãos. Agora usando um papel mais grosso (color set). Embora já não fosse surpresa, voltou novamente a puxar o papel. Novamente peguei em suas mãos para repetir o movimento. Foi mais rápido desta vez. E veja como ficou:


A próxima atividade foi perto do Dia das Mães. E preparei uma atividade para que ele ofertasse para a sua genitora. A atividade foi entregue a ele semi pronta. Com o contorno do vaso, um fundo mais escuro com as folhas e pontos marcados para que colasse as flores. E ele poderia cola-las onde achasse que ficassem mais bonitas. E o trabalho ficou assim:


 

No nosso último encontro, resolvi trabalhar com tinta. O objetivo era descobrir que novas coisas ele podia fazer. E o resultado final foi este:



Todas estas atividades não foram trabalhadas simplesmente para "matar o tempo" ou porque era bom e bonito. Todas tiveram objetivos definidos, além de verificar e descobrir novas possibilidades é claro. Rasgar papel ajuda na coordenação motora, na preensão, no movimento dos dedos e do pulso, no movimento contrário das mãos (principalmente da esquerda, que ele pouco utiliza). Ao aumentar a gramatura do papel aumento a dificuldade e torna um exercício conhecido em outro mais complexo.

A atividade para a mãe, foi uma espécie de quebra-çabeça, que além do desenvolvimento da preensão, envolve movimentos mais delicados que se contrapõe com os espasmos que geram os movimentos mais bruscos. E ele precisa aprender a controlá-los.

A pintura envolve tudo isso junto. Une coordenação motora, desenvolvimento da preensão, do gestual mais delicado e a precisão do traço. Além disso, dá mais autoconfiança e melhora a autoestima.

terça-feira, 23 de maio de 2017

PARALISIA CEREBRAL E AS ARTES

O garoto com Paralisia Cerebral que atendo, sempre me surpreende em cada um de nossos encontros, eu também lhe prego algumas surpresas. 

Ele nunca havia feito nenhuma atividade artística. Talvez tivesse visto alguma coisa na televisão ou em alguma revista ou livro. Mas foi só. E por não ter entrado em contato com nenhuma atividade artística temos que começar do zero e ainda levando em consideração os problemas motores, a baixa visão, os preconceitos etc. Por isso, como estava aprendendo as formas, foi por aí que comecei.


Esta foi a primeira atividade artística que fez na vida. Uma colagem aleatória de formas geométricas num espaço limitado. 

A segunda foi esta, também com colagens aleatóris. Com formas já recortadas em vários tamanhos. A única regra dada a ele, foi a de não colar as figuras da mesma cor muito juntas. De vez em quando sugeri que colasse umas sobre as outras, e ele fez. E vejam como ficou bonita. 


No encerramentos das atividades do ano passado, ele fez este trabalho. Não importava o motivo, o objetivo deste trabalho era a observação de uma regra: pequenos círculos para as florzinhas.E eu fiz os galhos e  as folhas.  Além da regra, o objetivo maior foi a preensão de peças pequenas, coisa que encontrava muita dificuldade. 


Embaixo, ele terminando de colar uma das flores deste trabalho.



No início deste ano, queria dar uma arrancada na alfabetização, nos conhecimentos da numeração  e  na coordenação motora fina, não fizemos este tipo de trabalho. Mas, em março, ele fez este trabalho que foi um dos temas de produção de texto, já mostrada anteriormente.


Foi um quebra-cabeça. No caderno havia um esboço da figura. Com peças semi-prontas do robô entregues a ele e usando quadrados e retângulos (formas que estava aprendendo na ocasião). O objetivo era verificar se ele reconhecia as formas no esboço, pois ainda encontra dificuldades para montar quebra-cabeças. Primeiro ele colocou as peças em seus devidos lugares e, por fim, fez a colagem.

Na época da Páscoa, ele fez este outro trabalho. Também uma espécie de quebra-cabeça.  A figura 1, foi como eu entreguei o trabalho a ele. E na figura 2, o resultado.

fig 1

fig 2

Este trabalho também resultou numa produção de texto oral que eu transcrevi para ele. Foi a mensagem que postei anteriormente. Como já se sabe, os textos orais tem o mesmo valor dos escritos, porque o que importa é o pensamento.

Até a próxima postagem com novos trabalhos. Aguardem!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

PARALISIA CEREBRAL E AS GRATAS SURPRESAS!

Para as pessoas que ainda acreditam que todos os paralíticos cerebrais não pensam ou não estão nem aí  para essa coisa de criatividade, quero dizer que estão errados.

Para testar a criatividade do rapazinho que está sob meus cuidados para alfabetizar, resolvi pedir umas frases. Como ele não escreve por causa dos espasmos, as frases foram orais e eu reproduzi graficamente o que ele disse.


Eu as reproduzo para vocês: 

"a) Ficar desempregado é ruim
b) Ouvi o rato fazer ruído.
c) O rodo tira água do quintal.
d) O carro vai rápido.
e) A raposa comeu a galinha.
f) A mamãe deixou um recado para mim.
g) Estou rouco."

Foi por causa dessas frases, as primeiras ditas em uma tarefa, que inventei uma produção de texto de pronto. Isso mesmo, de SUPRESA para ele. E no final das contas a surpreendida fui eu. 

Como atividade artística e incluindo as formas geométricas básicas que estava aprendendo, ele tinha que fazer um Robô, colando como sempre porque no momento é o máximo que consegue. Só para terem ideia, é a primeira vez que ele produz um texto na vida. Assim como nas frases, ele foi falando e eu escrevi, reproduzindo sua fala. Vejam se não é de emocionar:





" O ROBÔ

O robô é bonito.
O robô monta carros nas empresas multinacionais de veículos.
Os robôs substituem as pessoas nas linhas de montagem. A intensão é auxiliar no trabalho pesado. Mas, muitas pessoas ficam desempregadas."
  
(texto reproduzido)




Na semana seguinte, estávamos nas vésperas da Páscoa. Pedi que deixasse por escrito uma mensagem para as pessoas ou para sua família.  E com voz firme ele disse: Vou fazer uma mensagem pro mundo. Suspirou fundo e:




MENSAGEM:

"Que o mundo mudasse para melhor, sem descaso com as pessoas". 


(texto reproduzido)





Dias depois, pedi que apontasse e marcasse o barco que estava atrás para trabalhar a percepção visual. E ele acertou de pronto. Após uma pequena conversa sobre o desenho, propus mais um texto. Ele disse se seriaa toda vez assim? 
   -Assim como? - perguntei. 
   - Contando história?
   - Não necessariamente.
   - Está bem, vamos lá. Está pronta?
   - Estou.
E vejam o que saiu:



"OS BARCOS

Dois barcos navegavam no mar. Eles estavam passeando e decidiram ver quem chegaria na praia em primeiro lugar.

Depois de um tempo, o barco de vela azul e amarela chegou em primeiro lugar.

O prêmio pela vitória foi um bom banho de mar."

(texto reproduzido)





Os textos são curtos, é verdade. Mas se levarmos em conta de que NUNCA havia feito nenhum antes, acredito estar ótimo demais.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

TRABALHANDO A MÃO INATIVA III

Todos os exercícios postados aqui são movimentos naturais que todos fazemos diariamente. Não há esforço físico, portanto, não prejudica a ninguém.

Exercício 1

Arrume para este exercício um copo e um pratinho ou tampa de plástico e uma bola pequena. Coloque sobre a mesa, o pratinho ou tampa do lado e o copo ( de boca para baixo) na mesma direção e a  um palmo de distância, mais ou menos.

O exercício consiste no seguinte:
1- pegar a bola do pratinho e levá-lo até o copo e depositá-lo sobre o fundo do copo. Levantar a mão ou voltá-la ao ponto de origem.


2- Repetir o exercício ao contrário, ou seja, pegar a bola do copo e levá-la para o pratinho ou tampa.



Repeti este exercício umas 5 vezes para começar. Quando sentir que começa a ficar fácil, aumente um pouco a distância do copo e aumente 3 vezes a repetição do movimento (de 5 passa para 8 vezes). 

Este exercício trabalha a extensão e relaxamento dos músculos dos dedos, mãos e braço. Trabalha ainda a coordenação motora grossa e fina dos músculos que ficam mais tempo sem atividade e que podem atrofiar. Por último, trabalha no consciente do sujeito com paralisia cerebral de moderada grave percepção de que ele possui um outro braço que pode utilizar.

OBS:  NÃO  PODE AJUDAR COM A MÃO ATIVA.

Mas não espere resultados imediatos. Precisam de muitos estímulos  e muitas repetições para que isso aconteça. 

Exercício 2

O exercício 2 é uma variação do anterior. Os movimentos são os mesmos e usa-se os mesmos objetos e os benefícios são os mesmos também. 


 

A unica diferença é que, no lugar do copo ficar de boca para baixo, ele fica de boca para cima. O objetivo é colocar a bola dentro do copo.

Neste exercício, PODE USAR A MÃO ATIVA APENAS E TÃO SOMENTE PARA TIRAR A BOLA DE DENTRO DO COPO.

Exexrcicio 3 

Idem aos anteriores, a diferença está na altura. Em vez de um copo, use um cone, desses de linha ou barbante.






Logo postarei novos exercícios.