quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ENSINANDO TABUADA

Trabalhar com deficientes intelectuais tem algumas surpresas. E diante delas temos que procurar “sempre” um modo fácil de fazer as crianças memorizem o que se ensina. Uma dessas surpresas é olhar os cadernos escolares e perceber que a professora está trabalhando as tabuadas.

Como fazer uma criança com diagnóstico de limítrofe ou com deficiência intelectual aprender as famosas tabuadas?

A primeira coisa que faço é mostrar a diferença entre os sinais, seus nomes e o que cada um pede:

+       
juntar

mais
-  
tirar

menos
X  

repetir

vezes


Trabalhamos um pouco com atividades de ligar, circular, nomear e identificar os sinais. Você pode inventar ou criar outras também.

Depois, o significado de repetir, também de várias maneiras usando o corpo da criança, como por exemplo, pedindo que dê um pulo, que bata palmas, que solte beijinhos, feche o olho e assim vai. E sempre que quiser que ela faça o movimento novamente, use a palavra “repete”. Dessa forma, a criança aprende o “conceito de repetir”, que nada mais é do que fazer de novo. Feito isso, repita as mesmas ações ou outras, indicando uma quantidade de vezes. Ex: pule e repita 3 vezes, pisque o olho e repita 5 vezes e assim vai.

Usando, tentos, fusos, cubinhos do material dourado ou outro material alternativo como as tampinhas de refrigerante, monte uma quantidade e peça que a criança repita essa quantidade X vezes. Repita com outras quantidades.Com este passo, a criança aprende o conceito da multiplicação como uma operação em que se repete a mesma quantidade.

duas vezes três tampinhas

duas vezes duas tampinhas

Após os passos acima, chega o momento de trabalhar no caderno. Nesta etapa entram: o concreto, o simbolismo numérico, a contagem e o registro do resultado.

tabuada do 1


Trabalhe assim por um tempo variando as figuras. Você pode alternar a ordem, como por exemplo, só com resultados grandes ou só os pequenos. Você também pode colocar a quantidade e a criança monta a continha e o resultado após a contagem, como também completar a conta. Tudo isto para que a criança adquira autonomia no fazer.


já na tabuada do 2
Para as outras tabuadas, inicie na etapa do caderno.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

FORMAÇÃO DE FRASES: um novo desafio

Durante um tempo as crianças trabalharam a formação de frases com uma figura ou palavra e já sabem muito bem como formá-las. 

Está na hora de lançar um novo desafio. Use agora duas figuras. As crianças deverão usá-las na mesma frase. No começo, é preferível que as figuras estejam relacionadas e que sejam bem óbvias. Por exemplo:

 



Trabalhe assim por mais algum tempo até que se perceba certa facilidadeÁ medida que entendem como tudo funciona, desafie-as mais um pouco. As figuras devem apresentar uma relação menos clara que as anteriores, embora possam manter uma relação.

 


Trabalha-se mais algum tempo. Por fim, três figuras que podem estar ou não claramente relacionadas.

 

 

Estes pequenos desafios fazem com que as crianças desenvolvam um pensamento mais lógico e mais variado, colocando em ação as áreas cerebrais que trabalham com as funções superiores. Estes desafios também trazem a possibilidade de trabalhar uma parte gramática, como as formas verbais no plural, a concordância e a ampliação de frases.

As crianças gostam destes desafios e se sentem empolgadas porque veem as frases ficarem "mais compridas", como dizem.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

FASES REGRESSIVAS


Trabalhar com deficientes intelectuais é assim: você trabalha um conteúdo, a criança repete várias vezes um item desse conteúdo. Ensina-se outro item e ela repete outras tantas vezes. Tudo parece ir muito bem porque a criança está avançando em seus conhecimentos. 

Mas, trabalhar com deficientes tem lá suas surpresas também. Um belo dia, a criança chega e não lembra nada do que foi ensinado. Confunde letras e números. Ás vezes, nem reconhece as letras que fazem parte do seu próprio nome. E o que sabia antes, já não sabe mais. Nestes casos, é preciso recomeçar tudo novamente. 

Por que isto acontece? Todo deficiente intelectual apresenta fases regressivas, como afirma Vitor da Fonseca. Porque? Ninguém sabe. Quanto tempo leva nessas fases? Varia de pessoa para pessoa, podendo durar algumas semanas ou levar meses.

Vocês devem ter percebido que, de uns tempos para cá, deixei de postar atividades de alfabetização. Foi justamente por causa desta fase regressiva. Uma fase que durou seis (6) meses e foi a mais longa que já presenciei.

Durante esse tempo, retomei todo o alfabeto comparando as letras com sonoridade semelhante e as operações fundamentais. E não postei porque seria repetitivo e desinteressante para vocês. Finalmente, está saindo dessa fase. Já tenho notado progressos faz algumas semanas.

Portanto, professores e pais fiquem atentos. Não é má vontade da criança. Simplesmente, ela não consegue se lembrar do que aprendeu.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

CRIANÇAS QUE NÃO GOSTAM DE LER

RESPOSTA AO LEITOR



Uma mãe me escreveu pedindo orientação porque seu filho não gosta de ler. E aqui vai a resposta.

Nem sempre a criança que "não pega" um livro para ler  é "preguiçosa" ou realmente "não gosta" de ler. Isto porque algumas situações podem atrapalhar o desejo de ler.

A primeira é não ver seus pais lendo sendo um jornal, revista ou livros. E se os pais não leem é porque a leitura não é uma atividade importante. Lembre-se de que as crianças aprendem pela imitação dos adultos.

A segunda é ler por obrigação. Ler tem que ser prazeroso. Ler porque os pais querem ou para fazer prova é horrível e muito chato. E mesmo que a história seja maravilhosa, não dá vontade de ler.

A terceira situação é ter que ler logo depois que chegou da escola ou de fazer a tarefa de casa. Algumas tarefas escolares realmente são cansativas e provocam um desgaste grande de energia e as crianças ficam cansadas.
  
A quarta são os livros que não combinam com a idade mental da criança. Embora tenha 10 / 11 anos, mas se o comportamento é de 8 / 9 anos, os livros para a faixa da idade deles ou maior  não combinam. Muitas crianças escolhem livros pela capa e não pelo assunto ou pelo autor.

A quinta situação é a maneira como essa leitura é acompanhada pelos pais. Na maioria das vezes, a criança fica num dos cômodos da casa e os pais em outro. Não participam da magia da leitura. E a criança finge que lê, os pais ficam satisfeitos.

A sexta situação pode estar ligada com dificuldades de leitura. Ele ter uma leitura lenta, confundir letras, pular de uma linha para outra sem perceber, desconhecer palavras. E  aí, a compreensão do texto fica prejudicada

Para estimular a leitura, faça o seguinte:

a) Escolha livros adequados para o seu filho. Não o que está na moda.

b) Comece com livros de poucas páginas (máximo de 20). Vá aumentando aos poucos.

c) Leia o livro antes de oferecer a eles. Assim, você poderá conversar com ele sobre a história.

d) Para começar, 15 minutos diários são suficientes. Depois, vá aumentando 5 minutos por semana  sem que ele perceba. Haja naturalmente.


e) Não o deixe sozinho na hora da leitura. Participe com ele da leitura, lendo alguns trechos para ele e ele para você em voz alta. Assim, você perceberá as dificuldades de leitura que possa apresentar e ajudá-lo sem broncas ou recriminações e sem ficar impaciente.

f) Se aparecer alguma palavra mais difícil ou que fuja do vocabulário que estão acostumados a usar, consulte um dicionário. Haja naturalmente, como se fosse um costume. Você estará ensinando como ele deverá agir quando você não estiver por perto.

g) Não precisa terminar o livro num único dia. Mas sempre que parar, escolha uma situação que o deixe em suspense, querendo saber o vai acontecer na próxima página. Guarde o livro com você, para que fique curioso.

h) Pergunte se ele gostou, o que entendeu, pergunte sobre personagens e suas atitudes, e o que ele faria se estivesse no lugar do personagem. Sempre de acordo com a história, é claro. Você perceberá se ele compreendeu ou não a história, ajudará a se expressar oralmente, falar o que pensa com confiança que não haverá críticas, nem broncas, nem notas.

E em pouco tempo, ele estará gostando de ler.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

OS ARAMADOS

RECURSO DIDÁTICO


Olá pessoal!

Hoje trouxe para vocês um recurso didático muito legal. As crianças adoram e ficam doidinhas com eles. Trata-se dos ARAMADOS.


Os aramados, como o nome diz, é feito de arame grosso e encapado com plástico colorido e preso numa placa de madeira. Ele possui umas pecinhas de madeira bem coloridas e que correm de um lado para o outro do arame. 


Vários são os tipos de aramados: os ondulados, triangulares, entrelaçados e os acrobáticos. podem ser grandes ou pequenos e são encontrados em lojas especializadas de materiais didáticos. Infelizmente, não é um material barato. Mas é bastante durável.
ondulado                               espiral


triangular                          entrelaçados

acrobáticos


Esse recurso  pedagógico é, para  as  crianças, um brinquedo  divertido. Mas, são excelentes  para  o  desenvolvimento  da  coordenação  motora,  viso-motora,  da percepção visual, organização espaço-temporal e para a aprendizagem de cores e solução de  problemas  práticos. Ainda  exercita os  músculos dos dedinhos e das mãos

Como se trabalha com eles? Fácil.




1- deixe a criança explorá-lo a vontade por um tempo. 




2- desafie a criança a passar as pecinhas de um lado para outro usando apenas uma das mãos. 

3- e quando terminar, peça que volte as peças para a posição inicial com a outra mão.



4- a solução de problemas é trabalhada quando tem que passar as peças pelos fios entrelaçados com uma só mão.



Feito isso, elogie e deixe-a brincar novamente. Repita a operação num outro dia e com outros modelos.

Este recurso pode ser trabalhado com deficientes ou não e em qualquer idade.


Espero que gostem da sugestão.

domingo, 14 de setembro de 2014

AS HABILIDADES MOTORAS

Responda a esta questão: Você pensa em que movimentos deve fazer para realizar as tarefas abaixo?
 ou 

Com certeza, você respondeu que não. Na verdade, ninguém pensa nesses movimentos. Simplesmente, faz automaticamente. Por que isto acontece?

Ficar em pé garante a todos os seres humanos uma imensa gama de possibilidades de ação e de locomoção. Obtemos uma liberdade que nos permite explorar o corpo e o ambiente de todas as maneiras possíveis e imaginárias.


Observando os movimentos realizados por um bebê podemos entender melhor essa liberdade. Na fase deitado, o bebê é totalmente dependente. Ao sentar, seu ângulo de visão muda e os objetos do ambiente passam a despertar mais sua atenção, razão pela qual dá início a um trabalho de exploração dos objetos próximos. Ao engatinhar, o ângulo visual muda novamente e com mais familiaridade da locomoção permite a exploração de objetos mais distantes.


Mas, ao ficar em pé, tudo muda mais ainda. Já não precisa dos braços para apoiar o corpo. As pernas obedecem aos comandos cerebrais e a locomoção se torna mais fácil. O ângulo de visão se adapta à nova realidade permitindo uma nova exploração dos objetos próximos e distantes, ir até eles e voltar ao ponto de partida. E a palavra mágica é APRENDER.

O bebê aprende que seu corpo é flexível e explora isso. Abaixa, levantar, sobe, desce, esbarra nos objetos e aprende a desviar deles. Explora ainda diferentes visões de mundo: deita-se de costas, de barriga, de lado, rola pelo chão, olha por entre as pernas e de outras formas bastante engraçadinhas. Além de enxergar o mundo de modos diferentes está ampliando os conhecimentos do seu campo de visão também.


Ao manipular objetos aprende que nem todos os objetos são iguais, nem tem a mesma textura, nem a mesma forma, nem o mesmo peso. E aprende a usar a força muscular e a distância adequada para cada objeto. Por meio dos ruídos, aprende a distinguir as distâncias entre os objetos e seu corpo. É a audição presente.

Andar é uma aprendizagem que implica numa série de movimentos orientados, posicionados e equilibrados. 

Todas as aprendizagens começam tímidas, desajeitadas, inseguras e sempre estão sujeitas a erros. Os erros do bebê resultam em quedas. Por não temê-las, logo se levantam e retomam o movimento. E aqui entra uma outra palavra mágica: REPETIÇÃO. Andar, cair e levantar é um jogo divertido para o bebê.

A repetição de um movimento acelera o aprendizado e aprimora os comandos dos movimentos. Chamamos a isto de hábito. Esse aprimoramento ainda não é totalmente isento de erros. Repeti-los continuadamente é necessário e importante. É quando entra a última palavra mágica: a PRÁTICA.  Com o tempo e a repetição, o hábito se transforma em habilidade: a prática.

A prática significa que as funções cerebrais, vestibulares e motoras já conseguem dar respostas imediatas e eficientes mediante a visão de um objeto. Os movimentos seguem uma sequência prevista e organizada. Por isso, não precisamos pensar no que fazer. Isto não acontece apenas com os bebês, mas com todas as pessoas e o tempo todo. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PINTANDO COM ESPÁTULA

OLÁ, MINHA GENTE!

Depois de alguns dias sem postar por questões pessoais, hoje trago para vocês mais uma novidade: pintura com espátula.

Para realizá-la com crianças de qualquer idade, deficientes ou não, você vai precisar de faquinhas plásticas de bolo e tinta guache ou acrílica.

Para traçar um linha reta basta carregar a ponta da faca com um pouco de tinta e depositá-la no papel e com movimentos de vai e vem se direciona a reta.


Faz-se o mesmo para traçar linhas curvas.


Aprendido esses movimentos básicos, podemos passar para a segunda fase: o "arrasto". Realiza-se o movimento feito para a reta e puxa-se a faquinha, ainda com tinta, para baixo ou para cima de leve. Com muita pressão a tinta não desliza.
 


Com o "arrasto" de várias cores formamos lindas e diferentes pinturas, como esta:

Sem lavar a faca ao passar de uma cor para outra, ou uma cor sobre a outra, as crianças notam que as cores se misturam e ganham novas tonalidades. 

Depois desta etapa, as crianças podem começar a preencher desenhos simples e sem muita dificuldade como formas geométricas ou flores. Para isso, basta depositar a tinta e arrastar  de leve seguindo o risco.


Para os maiores que já aprenderam bem os movimentos e conseguem criar, podem fazer flores como estas ou outras de sua vontade.


Com isto estamos trabalhando a coordenação motora, a preensão, o controle da mão, a desinibição da pintura, estimulando a criatividade e a imaginação.

Esta é mais uma sugestão para um trabalho diferenciado em casa ou na sala de aula.

Espero que gostem.