quarta-feira, 20 de julho de 2016

SOBRE DISGRAFIA

DISGRAFIA é a letra “feia”, irregular e ilegível. As letras saem ora grandes, ora pequenas na mesma palavra, com agrupamentos de letras sem que se possa distinguir quais são e misturam maiúsculas e minúsculas numa mesma palavra.



O traço pode ser tão forte que deixam marcas na folha ou tão fraco, que parece que não há nada escrito. Geralmente, não respeitam as margens ou não usam a linha como orientador. Param bem antes do final da linha ou amontoam várias letras no final dela. Alguns disgráficos deixam um espaço muito grande entre as palavras ou emendam uma na outra como se fossem uma só palavra. Podem escrever palavras faltando sílabas, pará-las no meio ou acrescentar sílabas desnecessárias. Por isso, muitos autores insistem em dizer que a disgrafia decorre de um comprometimento intelectual denominado “disortografia”. Mas, sabe-se também que a disgrafia pode aparecer em aprendizes que não possuem esse comprometimento.

Muitas retocam as letras com várias passadas do lápis, as letras mais alongadas como o b, d, f, g, h, k, l e t tem suas hastes encurtadas, malfeitas dando a impressão de que estão atrofiadas; invertem a ordem do traçado dessas letras e números com movimentos contrários ao natura da escrita.

Os disgráficos são crianças que escrevem de forma lenta. E essa lentidão é devido ao tempo que gasta tentando lembrar como é a forma ou o traçado das letras que pretende usar. E, nessa tentativa de lembranças, acaba tornando-a numa escrita ilegível, porque usa uma forma inadequada de escrita. O que pode levar a confundir com “dislexia”.

Estas características não são isoladas, mas aparecem num conjunto. Pode acontecer que um ou outro item não entre nesse conjunto. Por isso, podemos dizer que variam de um disgráfico para outro.

TIPOS DE DISGRAFIA

As causas da disgrafia podem ser: motora ou de percepção.



A DISGRAFIA MOTORA (também chamada de “discaligrafia”) ocorre quando a criança fala e lê bem, mas encontra dificuldade na coordenação motora fina para escrever as letras, números, palavras ou frases. Em outras palavras, o disgráfico vêm a figura gráfica e a reconhecem, mas não conseguem realizar os movimentos da escrita de forma adequada. Neste caso, isto acontece por um problema neuromuscular.



Na DISGRAFIA PERCEPTIVA, a pessoa não consegue relacionar o que ouvem (som das letras, sílabas, palavras, frases) com a grafia que os representa. As disgrafias perceptivas são, na maioria dos casos, confundidos com “disléxia”. E, neste caso, elas acontecem por um distúrbio perceptivo.

Muitos professores ao verificar que um aprendiz tem letra feia, logo pede para fazer caligrafia. O caderno de caligrafia não resolverá o problema neuromotor, nem o problema de percepção. 

A primeira providência de pais e professores é encaminhar o aprendiz para um psicopedagogo. O tratamento requer uma estimulação linguística global, atendimento individualizado e complementar ao trabalho escolar. Também faz parte desse trabalho, a conscientização do problema que o aprendiz possui.

Pais e professores não devem criticar ou repreender o aprendiz por causa de sua letra, mas reforçar, de forma positiva, cada conquista que realizada. As avaliações devem priorizar a expressão oral, evitando assim a forma escrita. Ao corrigir tarefas, livros, cadernos, trabalhos e provas, o professor deverá evitar marcar os erros com canetas vermelhas. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

DISCALCULIA OU ACALCULIA: como ajudar?


Em primeiro lugar, é preciso entender que o aluno que não vai mal em matemática não é porque ele quer ou porque gosta tirar notas baixas. Os discalcúlicos e acalcúlicos agem dessa forma por uma condição inata ou adquirida.

Uma condição é inata quando há uma lesão cerebral ou uma disfunção de alguma área cerebral. Ou seja, as crianças já nascem com essa dificuldade. Nas condições adquiridas, as causas são mais variadas e podem ser por um ensino superficial e com poucas repetições; porque as dificuldades das crianças não foram percebidas em tempo e se cristalizaram; problemas de atenção ou de ansiedade entre outras.

Na recuperação das dificuldades matemáticas em crianças ou jovens a família, o psicopedagogo e os professores possuem um papel fundamental.


A família pode identificar as dificuldades do filho precocemente, ou seja, antes do início da escolarização. E para isso, deve estar sempre atento á forma como a criança conta ou lida com as questões matemáticas na vida prática. Pode ajudar a a criança a lidar com os fracassos, a aceitar os resultados negativos obtidos na disciplina, não deixar que que esses resultados interfiram na sua adaptação na vida e procurando um psicopedagogo para ajuda-las a lidar com essas tarefas. E pode fazer isso através de brincadeiras de contar, de juntar e tirar, trabalhando com formas, posições e detalhes. Segundo Piaget, brincar é uma forma de se adaptar, compreender, assimilar e se adaptar no mundo. Brincar é uma atividade lúdica e séria.

O professor também deve estar preparado para trabalhar com as crianças e jovens discalcúlicos e acalcúlicos proporcionando a esses aprendizes o envolvimento, a participação, o prazer, a ação reflexiva, ação mental reflexiva, a imaginação, a fantasia, a representação, a magia e a criatividade por meio das atividades lúdicas, pois são elas que se transformam em experiências significativas e permitem vivenciar situações em etapas que, possivelmente no cotidiano, passariam despercebidas.

As ações pedagógicas visam a construção do conhecimento. E, por causa disso, as crianças precisam compreender e enfrentar várias situações abstratas, seja em forma de resolução de problemas, nas operações fundamentais, no uso de fórmulas de área e perímetro, nos sistemas de medida, peso e capacidade, e mais adiante, no ensino dos conjuntos e suas representações, frações e estudos de álgebra. E são essas situações abstratas que dificultam a compreensão das crianças e jovens que apresentam dificuldade de aprendizagem em matemática. Mas, se essas mesmas situações forem transformadas em jogos ou brincadeiras as crianças podem vivenciá-las de forma significativa por meio da simulação, e vivenciar passo a passo os conteúdos, gradativamente serão compreendidas devido a repetição das brincadeiras ou dos jogos.

A Associação Brasileira de Discalculia (ABD) afirma que os professores também podem se valer de outras estratégias, como por exemplo:

a) permitindo a utilização de calculadora, tabuada e o caderno quadriculado para resolver as tarefas;
b) elaborando provas com questões claras e diretas;
c) sugerindo que os alunos visualizem os problemas por meio de desenhos;
d) prestando atenção em como ele desenvolve suas atividades;
e) tendo sempre em mente que os alunos com discalculia ou acalculia aprendam de uma forma diferente das outras crianças e que nada é óbvio para eles.
f) usar materiais concretos.
g) permitir o uso de tabuadas ou da calculadora.


Os professores também podem explorar a percepção de figuras e formas a partir das figuras geométricas e suas representações, iniciando pelas mais simples e incentivar a observação dos detalhes, semelhanças e diferenças para que os aprendizes tenham uma experiência graduada, Podem ainda explorar as representações espaciais e a localização dos objetos, tais como: em cima, embaixo, no meio, entre, primeiro e último. Essa experimentação também pode ser realizada ao formar a fila na hora da entrada.

Já os conceitos de ordem e de sequência dos numerais podem ser trabalhados a partir dos dias da semana, dos meses, das estações do ano, dos números ordinais (primeiro, segundo, etc).

A representação mental é favorecida por meio de atividades simples e usando as mãos dos aprendizes para indicar as quantidades com os dedos ou o tamanho e o comprimento dos objetos. Jogos de quebra-cabeça são bem-vindos. A criança preenche espaços com figuras de determinado tamanho, escolhido entre outras da mesma forma e de tamanhos diferentes.

Com relação ao conceito de número, o professor pode trabalhar com as correspondências biunívocas (pareamento), seja construindo fileiras de objetos idênticos. Pode-se ainda associar os símbolos matemáticos e compreensão auditiva relativas a quantidades por meio da dança ou de atividades rítmadas.

Nas operações aritméticas, é preciso inicialmente que os aprendizes entendam os conceitos de cada operação, como por exemplo: a adição indica um acréscimo; a subtração indica uma diminuição; a multiplicação é a repetição de parcelas iguais e a divisão é repartir em partes iguais.

A educação motora também pode ser explorada. Brincadeiras de : localizar, planejar, reconhecer, observar, acompanhar, corresponder, movimentar, coordenar e cumprir regras, assim como a prática da capoeira.

Paralelo a tudo isto, podemos ainda contar com os jogos pedagógicos. Eles trabalham a atenção, a concentração, a ação mental, o desafio, a rapidez e o planejamento.

Como já dissemos no início deste texto, a ludicidade é indispensável ao aprendizado principalmente para quem tem dificuldade na matemática. Por meio de atividades lúdicas os aprendizes exploram o mundo e os ambientes, mostram onde estão suas dificuldades e, ao mesmo tempo, desenvolvem a memória, a imitação, a imaginação e a socialização que são aspectos importantíssimos para as aprendizagens.

Os jogos e as brincadeiras são mecanismos psicológicos e pedagógicos e contribuem tanto para o desenvolvimento mental quanto para a aprendizagem da linguagem. Ao brincar ou jogar damos a oportunidade para que os aprendizes dicalcúlicos e acalcúlícos lidem com seus medos, inseguranças, ansiedade e as frustrações que enfrentam com a matemática. Ao mesmo tempo, redimensionam a sua relação com as aprendizagens, restabelecem o desejo de aprender e adquirem a confiança em si mesmos e na sua capacidade de aprender. Por isso, o prazer contido nas atividades lúdicas é tão fundamental.

Ao psicopedagogo cabe o trabalho de ajudar o aprendiz a ter uma imagem melhor de si mesmo, propondo atividades que valorizem suas qualidades, suas capacidades para que possam se adaptar á escola. Não se deve fixar apenas as dificuldades que apresenta. É preciso ir além. Por isso é preciso que o profissional conheça as potencialidades dos alunos.

O terapeuta terá sucesso nas intervenções se trabalhar a habilidade léxica (as noções de números elementares de 0 a 9); as habilidades sintáxicas (a produção de novos números elementares); e quando noções de quantidade, ordem, tamanho, espaço, distância, hierarquia, cálculos com as quatro operações e raciocínio matemático forem trabalhados como experiências não verbais significativas.

O terapeuta também trabalha as percepções viso-espaciais de figuras e formas, observar detalhes, semelhanças, diferenças e relacionar as experiências significativas do cotidiano, com fotos, imagens, tipo, tamanho, largura, espessura e somente depois passam para números, letras e figuras geométricas.


Assim, chegamos ao final deste estudo, que foi muito importante para mim. Espero que também tenha sido para vocês.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

VOCÊ SABE O QUE SÃO "ACALCULIAS"?

O termo “acalculia” é um termo de origem grega “a + contare” que significa “não contar” que também se estende para o “não calcular”. Esse termo aparece como um transtorno específico das habilidades aritméticas ou matemáticas e formam um grupo dentro das chamadas “discalculias”. Isto porque as dificuldades mais evidentes são as questões matemáticas, no entanto também atinge a linguagem.
Os portadores de acalculias são pessoas que apresentam algum tipo de lesão cerebral durante a gestação, no momento do parto ou por conta de um traumatismo e provocam alterações no cérebro e no comportamento humano, causando uma disfunção do Sistema Nervos Central (SNC) e a perda de habilidades e conhecimentos matemáticos. Em comparação com a “discalculia”, estas não apresentam lesões na região cerebral.
As acalculias podem ser de três tipos:
Acalculia primária – quando a dificuldade matemática não está associada a problemas de linguagem ou viso-espacial. Ou seja, o estudante lê mas não consegue formar uma imagem mental do que foi lido. Essa imagem mental (capacidade de imaginar mentalmente um objeto ou lugar) facilita o entendimento.

Acalculia afásica ou secundária – quando existe a dificuldade matemática em conjunto com outro distúrbio mais amplo, como por exemplo, uma afasia (perda da capacidade de compreensão da contagem e dos cálculos fundamentais). As afasias são motivadas por uma lesão cerebral.

Acalculia espacial – quando a dificuldade matemática decorre de um distúrbio visuoespacial. Neste caso, os sujeitos cometem erros por falta de exatidão do lado esquerdo do campo visual na leitura ou escrita dos números.
As acalculias fazem parte dos transtornos de aprendizagem que perturbam o sucesso dos portadores na escola, mesmo que tenham uma inteligência dentro da normalidade. Manifestam-se com dificuldades motoras ou psicomotoras, de atenção, memorização, compreensão, desinteresse, escassa participação e problemas de comportamento.

Os principais sintomas são:
- Dificuldade de identificar visualmente ou auditivamente os números.
- Fraca capacidade para contar.
- Fraca compreensão ou se confundem os sinais matemáticos ( +, -, X e :).
- Troca a ordem dos números quando na cópia ou escrita deles, (escreve 287 em vez de 782).
- Dificuldade em realizar adições, subtrações, multiplicações e divisões por não entenderem o significado dessas operações e por não memorizar seus passos.
- Dificuldade em compreender e aprender as tabuadas.

- Dificuldade em aprender a dizer as horas; dizer os meses e as estações do ano na ordem correta.
- Dificuldade em compreender o valor das moedas e cédulas.
- Dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância.
- Problemas de diferenciar a direita e esquerda e do sentido de orientação (norte, sul, leste, e oeste, para cima e para baixo no plano (principalmente no plano).
- Dificuldade com a organização do tempo (hora, minuto, segundo, ontem e amanhã, dias, semanas, meses e anos, noção de quinzena, década, séculos e milênio) bem como, a leitura das horas no relógio analógico.

- Dificuldade de usar instrumentos matemáticos (compasso, régua, esquadros, transferidor, calculadora etc).
- Incapacidade de diferenciar números pares e ímpares, número maior e menor, mais largo ou mais estreito entre outras noções.
_ Incapacidade em compreender planeamento financeiro ou orçamentos, muitas vezes, a um nível básico como estimar o custo de um cesto de compras.
- Dificuldade de manter a contagem de pontos durante um jogo.
- Dificuldade em resolver problemas orais e escritos.
- Dificuldade na compreensão de conjuntos, quantidades, conceitos de medida (metro, litro grama e seus múltiplos e submúltiplos)
- Não apresentam cálculos mentais.
Nas aprendizagens mais avançadas (como na 2ª fase do E. Fundamental) as dificuldades são:
- Incapacidade de aprender e recordar conceitos matemáticos, regras, fórmulas, e sequências matemáticas;
São melhores nos assuntos que requerem a lógica do que nas fórmulas de nível elevado e que requerem cálculos mais elaborados.
- Em casos extremos, pode haver uma fobia relacionada com a disciplina matemática ou a instrumentos matemáticos.
 Como as acalculias envolvem a linguagem, as principais dificuldades são:

- Dificuldade em nomear (oralmente ou por escrito) objetos ou figuras
- Confusão no uso escrito e na leitura das letras que possuem formato ou sons parecidos (p/q; m/n; d/t; c/s/ss; r inicial e final/rr) etc.
- Falta de entendimento das regras gramaticais.
- Falta de entendimento das regras ortográficas.
- Dificuldade de leitura (lenta e silabada).
- Falta de criatividade na produção de texto. Uso de palavras simples e costumeiras e repetição de ideias.

TRATAMENTO

Crianças e jovens com acalculias precisam de um longo período de reabilitação pedagógica e psicológica, de modo que possa reaprender ou contornar as suas dificuldades com exercícios Matemáticos e leitura de números em frases, treino da leitura das horas, das medidas, uso do dinheiro. 

Estas pessoas devem fazer uso dos instrumentos de auxílio como o ábaco e a calculadora e treino dos instrumentos específicos usados na disciplina de Matemática.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

DISCALCULIA

Normalmente, chamamos qualquer dificuldade matemática de DISCALCULIA. Mas não é bem assim, diz a literatura especializada. Quando as dificuldades atingem somente as questões matemáticas, aí sim, podemos nos referir a elas como “discalculia”.
A DISCALCULIA não é falta de atenção ou de concentração. É um problema neuropsicológico, um distúrbio do desenvolvimento, que faz com que alguns conhecimentos não sejam observados e memorizados, impedindo que o portador faça as contagens e a realização das operações fundamentais (adição, subtração, multiplicação e divisão) e dos cálculos mais avançados como álgebra, trigonometria e geometria, de forma adequada, coerente e numa determinada ordem ou sequência.
A discalculia pode ou não vir associada a uma determinadas comorbidades, como por exemplo: a dislexia, o TDAH, epilepsia, afasias, Sindrome de Turner e crianças com diagnóstico de limítrofes.

As causas da discalculia são inúmeras e variadas. E podem ser:

a) causas físicas: lesões cerebrais; alterações neurológicas; aparecimento tardio da linguagem; deficiência nas habilidades verbais; alterações psicomotoras, falhas de estratégias; imaturidade do lobo frontal, afasias, dificuldades viso-espaciais ou, entre outras.

b) causas genéticas: alterações no desenvolvimento intelectual, principalmente, no raciocínio lógico-abstrato; atraso de maturação da atenção, memória imaginação, psicomotricidade, lateralidade, ritmo, automatização problemática da memória para realizar as combinações numéricas.


c) causas ambientais: falta de consciência dos passos a seguir; dificuldades no pensamento abstrato; falta de motivação; dificuldades socio-ambientais; escassez de conhecimentos prévios; falta de automatização dos procedimentos simples do cálculo; utilização de uma linguagem inadequada para as crianças.

d) perturbações emocionais: estados hiperemotivos, absentismo escolar (recusa em fazer uma atividade). As crenças a respeito da Matemática é um domínio subjetivo, mas que podem prejudicar ou impedir a criança de aprender essa disciplina. Nas crenças há fatores conscientes e inconscientes que atuam nos sujeitos. Porém, os fatores inconscientes são os que mais afetam os pequenos e são, também, os mais complexos e marcantes na vida deles.


Mas há as crenças dos próprios sujeito formando uma crença a seu próprio respeito como estudante. O mesmo também ocorre sobre a forma como o estudante vê o professor, e de como os familiares enxergam a Matemática.

Esses fatores perturbam o modo como os discalcúlicos vêm os objetos se agrupam, sobre acontece o ensino dessa disciplina, sobre o ambiente escolar ou sobre a visão de si mesmo em relação aos números, contas, problemas e as tabuadas. As crenças também estão relacionadas à metacognição e autoconsciência.

e) transtorno de conduta; lentidão nas respostas, timidez excessiva, fala monossilábica, pouca criatividade, enxerga um exercício já aprendido como se fosse a primeira vez. Tudo que se trata de números é para os discalcúlicos um grande bicho de sete cabeças.

A discalculia apresenta vários tipos:

Discalculia léxica: que apresenta dificuldades no reconhecimento e na leitura de símbolos matemáticos. São crianças que saltam números, que contam de forma desordenada, se contam na sequência nunca contam certo para mais ou para menos. São causadas por lesões do lobo temporal-occipital-parietal, que causa a perda do conceito do número.

Discalculia verbal: que apresenta dificuldade em nomear corretamente quantidades, números, termos e símbolos matemáticos. Geralmente, são causadas por afasias dos tipos:
a) sensorial: que causa alterações acústico-gnósicas por lesões do temporal esquerdo
b) motora: que causa alteração da linguagem interna por lesões do frontal esquerdo. E por isso, não conseguem compreender os números como símbolos de representação das quantidades.
Discalculia gráfica: dificuldade na escrita dos números e dos símbolos matemáticos (+, _ , X, :, > e <, = e ≠ e tabuadas) e não entendem seu significado e quando e onde usá-los.
Discalculia operacional: dificuldade na montagem das operações e nos cálculos numéricos por lesões da área frontal esquerda e que interferem na planificação da resolução de problemas numéricos ou por lesões da área frontal direita, encontrando dificuldade para planejar a resolução de problemas espaciais.
Discalculia practognóstica: a dificuldade está na enumeração, manipulação de objetos reais ou em forma de imagens. Ou seja, não relacionam uma certa quantidade com o número que a representa. Isto geralmente acontece por lesões do lobo temporal parietal, o que causa alterações dos gestos motores.
Discalculia ideognóstica: são dificuldades nas operações mentais e no entendimento dos conceitos matemáticos. Ou seja, não apresentam cálculos mentais.
     Discalculia adquirida: são crianças que, mesmo sem lesões, mostram dificuldades matemáticas por outros fatores, como a falta de estímulo familiar e de oportunidade de praticar (pais super-protetores ou simbóticos) ou por fator emocional (medo da disciplina por ouvir dizer que é difícil e complicado).

O DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é fácil. Na primeira infância, normalmente, as crianças erram ao mostrarem dois ou três dedinhos correspondente á sua idade. Após essa idade, se errar é bom procurar um psicopedagogo. Outro modo de se perceber, é quando a criança, em idade escolar, começa a trabalhar com números e contas. Os professores são os primeiros a perceberem quando há algo de errado e, quando isto acontecer, devem encaminhar a um psicopedagogo.
PRINCIPAIS SINTOMAS NO COMPORTAMENTO

Além das dificuldades matemáticas, outros sintomas se observam no comportamento da criança. Os disléxicos têm uma aparência normal, brinca e age como uma criança qualquer. Já depois que entram em contato com a matemática podem mudar o comportamento.
1-    São muito caladas e tendem ao isolamento
2-    Falam por monossílabos e o diálogo não fluem.
3- Não procuram o professor para resolver suas dúvidas ou pedir novas explicações.
4-    São extremamente lentas na realização de uma tarefa.
5-  Podem chorar, arregalar os olhos ou empalidecer diante de um exercício, mesmo que seja conhecido, porque ela os vê como se fosse a primeira vez.
6- Baixa autoestima, baixa autoconfiança e muita frustração devido aos constantes fracassos. Insegurança, medo de errar são frequentes.
7- Timidez excessiva  
TRATAMENTO DA DISCALCULIA

Infelizmente, nenhum tratamento medicamentoso ou não se mostrou eficaz por ser causado por lesões na área cerebral. Mas, os terapeutas podem ajudar encontrando maneiras para compensar a desordem, valendo-se de técnicas de aprendizagem apropriadas a cada caso.

sábado, 21 de maio de 2016

SOBRE A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS MATEMÁTICOS


Vários estudos têm sido realizados para que se descubra quais as áreas cerebrais que entram em ação na resolução de problemas. Sabe-se, porém, que a dificuldade em resolver problemas tem a ver com a compreensão dos enunciados.

Sabe-se que a leitura dos enunciados dos problemas tem a ver com as estratégias de compreensão dos mesmos. Por meio da codificação, combinação e comparação seletiva são fundamentais para que se tenha uma “representação mental” do enunciado do problema. Essa representação sofre modificações de acordo com o ambiente externo e do ambiente interno do educando.

Vitor da Fonseca (1995) afirma que atuamos em quatro níveis de atividades cerebrais para a formação da representação mental: percepção, imagem, simbolização e conceitualização.

As percepções dependem dos sentidos.

Reconhecemos e decodificamos a informação por meio da “percepção”. Neste momento, os sentidos e a atenção seletiva entram em ação. A formação das “imagens” é essencial para dar significado à uma situação descrita no enunciado e para buscar na memória de longo prazo as informações necessárias. É, portanto, na memória de longo prazo que estão arquivadas as representações das nossas experiências, vivências e aprendizagens. E elas são necessárias para a “simbolização”.

A simbolização é uma função cerebral nobre e denominada de “cognitiva superior”. Essa função se vale das representações da realidade e das experiências contidas na memória de longo prazo e possibilita “conceitualização”. A conceitualização, por sua vez, é a aprendizagem abstrata que os problemas matemáticos tanto exigem. Mas ainda é pouco.

Para a resolução de problemas matemáticos também é necessário a utilização de “habilidades especiais”, conhecidas como “habilidades metacognitivas”.


METACOGNIÇÃO é uma função especial e que cada pessoa possui. Por meio dela, as pessoas conhecem seus processos e produtos cognitivos e generalizam para outras atividades relacionados a eles. Só para exemplicar, quando uma pessoa consegue imaginar o enunciado de um problema de adição, todos os outros se tornam fáceis.
A metacognição envolve também um sistema de monitoramento ativo e regulado para que um objetivo concreto seja alcançado. Isto porque recebemos constantes informações proveniente do ambiente externo (exterior ao corpo) e as unimos a outras provenientes da memória de longo prazo e que contém soluções já utilizadas. Dentre essas soluções encontramos uma que seja mais adequada na resolução de um determinado problema matemático. Após isto, julgamos a nossa escolha e elaboramos mentalmente uma justificativa para sua utilização caso alguém nos questione de acordo com nosso desempenho. Dessa forma a metacognição exerce as funções de planejamento, execução, estratégias utilizadas, tomadas de decisões, avaliação e organização em cada etapa da resolução de problemas.

Mas a metacognição precisa de monitoramento. E este monitoramento só é conquistado quando o sujeito se conscientiza de que é capaz de aprender e entender como se resolvem os problemas matemáticos. Assim, de forma racional, um educando pode saber quais são os seus pontos fortes ou fracos do aprendizado e será capaz de gerenciar seus procedimentos.

córtex cerebral

Em suma. o córtex cerebral (camada externa do cérebro) assegura o relacionamento das informações com o ambiente. Com as informações recebidas constrói representações e constantemente as atualiza. Graças ao trabalho do córtex cerebral que permite aos sujeitos planejar ações habituais e não habituais, elaborar antecipações e selecionar esquemas adequados para cada situação-problema a ser resolvida.

DIFICULDADES



As dificuldades na resolução de problemas têm inúmeras causas. Sabemos que as funções cognitivas, as chamadas superiores, fazem inúmeras conexões com outras áreas cerebrais. Assim, qualquer problema numa função superior pode afetar essas áreas como a atenção, a impulsividade, perseverança, linguagem, leitura, escrita, memória, autoestima e as habilidades sociais. Da mesma forma, as funções metacognitivas também podem ser afetadas por incoerências vindas de outras áreas.

E quando os professores das séries iniciais do Ensino Fundamental afirmam que as crianças que leem mal não conseguem resolver problemas, eles têm uma certa razão. Mas não é a única justificativa. Precisamos procurar e entender o que causa a má leitura.

A percepção, por exemplo, pode não funcionar como deveria e causar deformações de processamento que, em consequência, construirão representarão mentais equivocadas.

Educandos com déficits seletivos ou de preservação de sistemas particulares no tratamento da informação por problemas neuropsicológicos também ficam impedidos de analisar as estratégias de compreensão para a resolução de problemas já que são bem mais complexas.

As dificuldades na metacognição prejudicam as associações com representações errôneas ou que não são adequadas para a solução de um determinado problema matemático. A falta de vivência e de experiências reais também podem prejudicar ou impedir as funções cognitivas superiores, as habilidades metacognitivas e o automonitoramento trabalhem com eficiência.

Deve-se deixar claro que, problemas neuropsicológicos nada têm a ver com lesões cerebrais ou com deficiência intelectual, mas que se trata de uma dificuldade em estabelecer estratégias de compreensão quando se deparam com um problema matemático. Segundo os pesquisadores, o mau funcionamento dessa região cerebral pode ocasionar diferentes tipos de dificuldades na resolução de problemas matemáticos. 

COMO AJUDAR



Esta é uma pergunta que sempre me fazem. O primeiro passo é observar o que a criança é ou não capaz de fazer. E quando não é capaz, procurar o motivo dessa incapacidade e proporcionar a ela, por meio de orientações, ajudando o aprendiz a tomar consciência de sua dificuldade e a superar este problema.

O segundo passo, o aprendiz precisa de uma avaliação e acompanhamento terapêutico para que fortaleçam suas estratégias de monitoramento e reconheça suas qualidades de aprendiz. Neste caso, colaborar com o terapeuta em suas solicitações. E por fim, ter muita paciência e dedicação a ele, sempre com a certeza de tudo vai melhorar

segunda-feira, 9 de maio de 2016

AS TABUADAS

As tabuadas merecem um capítulo á parte. Todos sabemos que elas são importantes para a resolução dos cálculos de multiplicação e da divisão e, para agilizar as tarefas. No entanto, no Brasil e em alguns outros países ditos “mais modernos” proíbe-se que as crianças as decore. Alguns teóricos justificam que é melhor “compreender” do que “decorar”, pois isto é coisa do passado.
Concordo que as crianças precisam compreender a razão da existência das tabuadas, ou seja, que devam adquirir o pensamento multiplicativo. Mas sabemos que esse pensamento não acontece de uma hora para outra e, nas últimas décadas, encontramos adolescentes que chegam ao Ensino Médio sem sabê-las, incluindo-se a do dois.
Para aprender as tabuadas e as relações entre elas não basta que o professor diga ou explique. É preciso que a criança as descubra por si só. Porém, olhar as tabuadas desde a infância cria por sua vez a “dependência do famoso livrinho de tabuadas” comprado por alguns centavos na papelaria mais próxima. 
Os teóricos dizem esta dependência não ocorre, mas não é o que se vê na prática. Que o aprendizado do pensamento multiplicativo deve ser conquistado com num contexto vivenciado pelos educandos e que começa no início do Ensino Fundamental e só se completa ao atingirem o pensamento formal, que segundo Piaget, ocorre por volta dos 10 ou 11 anos de idade. E não é isto que se vê.
Fui em busca de sugestões: A primeira, encontrei numa tese de mestrado, que compartilha da ideia dos teóricos sobre contextualizar o pensamento multiplicativo através de situações-problemas. Tinham vários temas como:  quantidades, preços, rodas etc. Estas situações-problemas foram aplicadas em crianças dos 3º e 4ºs anos de escolas públicas e particulares. Retirei de lá esta situações-problemas, como exemplo:
a)   Numa viela haviam 5 casas. Em cada casa moram 2 coelhos. Cada coelho vai ganhar duas cenouras. Calcule a quantidade de cenouras que precisamos ter para que cada coelho ganhe duas cenouras?

Segundo a pesquisa, a autora esperava que as crianças chegassem a conclusão de que 4 x 4 = 16. No entanto, surpreendeu-se com a maioria que, após o desenho efeito, efetuou a contagem para obter a resposta. E isto significava que as crianças não fizeram o cálculo, nem o relacionaram com a operação de multiplicar. E portanto, ainda não tinham conquistado o pensamento multiplicativo. Verifiquei por curiosidade outros trabalhos de mestrado e TCCs de pós-graduações sobre o tema e as conclusões foram idênticas. Não é no início da idade formal que o pensamento multiplicativo começa ou nossas crianças não estão chegando a esse tipo de pensamento.
Fui então em busca do que se está fazendo hoje em dia nas escolas em geral. Pesquisei vários blogs de professoras de vários estados brasileiros e achei algumas sugestões:
b)   TABELAS MULTIPLICATIVAS  
  Os alunos preenchem os espaços em branco com os resultados da multiplicação de um número da coluna por todos os outros da linha. Podem ir completando aos poucos até ficar completa ou tudo de uma vez. Depois, quando precisar, é só consultar. Na verdade, é uma tabuada tradicional com uma cara nova. E um novo nome também: “tabela”.
c)    ÁBACO
O ábaco é um excelente auxiliar para contagens e dos primeiros cálculos. Usando o ábaco a criança repete a mesma quantidade em um número de vezes determinado. Ao final, faz a contagem e coloca a resposta.
d)   TABUADA CONCRETA


Compõem-se de um tabuleiro com determinado número de concavidades e dentro a criança coloca objetos pequenos na quantidade pedida e num determinado número de vezes. Para saber o resultado, é só contar as pecinhas colocadas.
e)     TABUADA NOS DEDOS
É muito interessante este jogo feito com os dedos da mão. Na verdade, é mais um truque divertido para que acertem as contas.
f)     JOGUINHOS NO COMPUTADOR.


Na tela aparece um cálculo a ser realizado e embaixo três respostas, sendo uma única a correta. Para mudar para outro cálculo basta acertar a resposta. Caso erre, volta ao início. Esta é uma aprendizagem por ensaio e erro e que a criança vai passando de fase porque decora as respostas corretas.
Pelo que vi estas sugestões são estratégias que, numa forma discreta ou bem mais prazerosa, visam a “decoração” das tabuadas. E onde fica o pensamento multiplicativo?
Acredito que ninguém precise ficar com vergonha ou se ser chamado de retrógrada se pedirmos que as crianças estudem e saibam as tabuadas. E já que a maioria dos brasileiros adoram coisas de fora do país, é bom saber que na maioria dos países europeus se cobra as tabuadas decoradas. E que, esses mesmos países, ocupam os primeiros lugares no Ranking Mundial da Educação, enquanto nós, com ideias mais “modernas e avançadas”, estamos em septuagésimo oitavo lugar (78º) lugar. Não é “estranha” essa colocação?
Compreendendo ou decorando as tabuadas, cognitivamente elas fazem parte das funções executivas cerebrais e localizadas no lobo frontal, do mesmo modo como adições, subtrações, multiplicações e divisões. São elas que acionam outras áreas cerebrais (já vistas em postagens anteriores) permitindo que possamos realizar os cálculos além da memória curta e de longo prazo. Seja lá como for, a criança adquire o pensamento multiplicativo no desenrolar do período formal e não no início dele.